Os princípios fundamentais do mercado repousam na autoconfiança, no trabalho árduo e na competição.
Os defensores da livre economia não se cansam de instigar as nações a abrirem os seus mercados à livre concorrência e a derrubarem as barreiras protecionistas que, alegam, dificultam e até impedem a livre circulação da riqueza.

Por coerência, a mesma lógica de argumentação deveria ser adotada para também instigar os acionistas dos grupos empresariais a levantarem as barreiras legais, igualmente protecionistas, que lhes asseguram tratamento tão privilegiado na atual ordem econômica.
É preciso que se admita, até por senso comum, que também os acionistas devam se abrir à livre competição de mercado com os empregados das organizações. Se a contribuição dos acionistas for efetivamente decisiva, certamente será prontamente reconhecida pelas forças de mercado. Se, no entanto, não for relevante - como claramente se evidencia no mais das vezes – não haverá razão que justifique a manutenção dessas proteções legais aos acionistas, a não ser sustentar privilégios indevidos, incompatíveis com o atual estágio civilizatório da humanidade.

Joseph Schumpeter criou na década de 1930 a teoria de que as inovações terminam por destruir os produtos e os métodos de produção mais antigos. Dessa forma, as empresas que se apóiam neles também tendem a ser destruídas num ciclo inexorável produzido pelo que chamou de destruição criadora.
Nenhum outro conceito explica de forma tão contundente a dinâmica que preside a economia globalizada nos tempos presentes. É claro, a velocidade e a contundência do processo destrutivo atual são muitíssimo maiores do que o dos tempos de Schumpeter.
Convivemos cotidianamente com a constatação da realidade corporativa de que ninguém consegue manter um desempenho de mercado consistentemente por muito tempo melhor do que o desempenho médio do setor em que atua, pois logo será alvejado pelas fagulhas da destruição criadora produzida pelos concorrentes.
Considerada a realidade das bolsas de todo o mundo, as corporações que conseguem obter retornos substantivos superiores são as novas e emergentes, e mesmo assim não mais do que uma década ou década e meia.
Não será cair nas armadilhas das profecias pressupor que a grande maioria das macro-organizações de hoje desaparecerão ou serão compradas em pouco tempo.
O grande desafio que se coloca para os gestores mundializados é como desenvolver na cultura organizacional a dinâmica do questionamento, da tomada da consciência da defasagem entre o que se é e o que se pode vir a ser, da implementação de ações capazes de tirar os seus cotidianos da zona de conforto, de aprender a confrontar o status quo e o establishement. O sucesso é doce, e o que está por cima, como a nata do leite, é a que primeiro azeda.
A destruição criadora é o processo de tomada de consciência e a decisão corajosa da necessidade de cortar na própria carne, de que para sobreviver muitas vezes são necessárias amputações de produtos e serviços, procedimentos e processos, normas e sistemas, para que uma nova realidade possa se fazer presente.
O simples fato de que uma diretriz seja, em termos objetivos, justa ou lógica não garante que todos a vejam da mesma forma. As pessoas não reagem a um mundo objetivo, mas ao mundo das suas percepções. O que é lógico não é necessariamente psicológico.
O erro é presumir que os valores, preferências e percepções da gerência, e a lógica que suporta o seu comportamento, são compartilhados por aqueles que implementam políticas e diretrizes. Freqüentemente não o são. As concepções gerenciais constituem uma espécie de teoria do comportamento humano nas organizações (muitas vezes não-conscientizada) sobre a natureza do ser humano na situação de trabalho e as estratégias adequadas para lidar com ela.
Algumas características da sociedade em que vivemos, e a dinâmica das organizações como parte dela, encontram-se de tal modo estabelecidas, arraigadas em nós, são tão penetrantes, que não conseguimos imaginar que possam ser diferentes. Como o ar que se respira, passam a fazer parte da nossa natureza, da própria vida.
Assim, se uma organização aspira realizar uma mudança fundamental, ela deve mudar os fundamentos sobre os quais se apóia. Por exemplo: se deseja sobreviver, deve estar disposta a ver muitas de suas unidades morrerem. Renovar-se não é uma operação simples, automática. É um processo que passa por autocríticas dolorosas, muitas vezes constrangedoras.
Aqueles empenhados em transformar as relações existentes e o quadro de circunstâncias que determinou a necessidade da mudança precisam criticar-se reciprocamente, reeducarem-se uns com os outros.
O sucesso da transformação depende da abertura, da transparência e da franqueza asseguradas uns aos outros.
A verdadeira mudança passa a depender cada vez mais do pluralismo. O hábito de pensar de um lado só deforma a percepção, turva o raciocínio, desvia o foco, contamina a emoção, gera hemiplegia intelectual.
A mudança, por definição, requer esforço. Este, por sua vez, exige uma direção e um sentido, uma idéia, uma convicção. É a convicção de que pode haver mudança para melhor, de que podem as condições atuais ser modificadas, a verdadeira essência do processo de mudança. É a convicção da esperança que nega a desesperança. É a propagação de uma idéia, com direção e sentido, que sugestiona, entusiasma, estimula e mobiliza. Produz a transformação. Possibilita a destruição criadora.
A vida é contraditória. E no emaranhado da vida não se encontra solução lógica, eminentemente racional, para as questões organizacionais. Elas sempre estarão “contaminadas” pela condição humana, suas histórias e peculiaridades próprias de cada um e de todas as pessoas que dela participam. O líder deve, mesmo assim, buscar como objetivo a ação gerencial, dotá-la da maior racionalidade possível.
De modo geral, quanto menor a alienação dos seus membros, mais competente e sinergética será a equipe. Os participantes cônscios de seu papel e comprometidos com o que fazem trabalham mais e melhor. As organizações que atuam com base no trabalho em equipe facilitam a concomitância da ampliação da racionalidade decisória, da redução dos níveis disfuncionais de emoção e de comunicação interpessoal, da auto-realização e da satisfação humana.
É preciso que estejamos permanentemente atentos aos movimentos tectônicos que ocorrem na economia e no mundo corporativo de hoje. Eles nos fazem refletir sobre o incrível tsunami, que não cessa de varrer os litorais das realidades organizacionais, de criação e de destruição de negócios, de florescimento e derrubada de impérios, de fusões e de incorporações, de joint-ventures e de falências, o mais das vezes, surpreendentes e imprevisíveis. E é neste contexto da destruição criadora, a que se referia Joseph Scumpeter, que se agravam as condições objetivas de acumulação de capital e que o sistema capitalista sofre uma descontinuidade ou ruptura, evoluindo da economia de produção para a economia de consumo e do crédito.
Um especial abraço aos colegas Administradores
Adm. Wagner Siqueira
Presidente
CRA/RJ Nº 01-02903-7
Editoriais do Presidente